domingo, 23 de agosto de 2015

A margem

eles pensam que
me forçando:
- útil, vá
fazer algo útil
eu vou ficar
à margem da vida
como eles, que
sentam
fecham-se e
se calam

se me encanta
mergulhar,
tocar o fundo
com a mão
e voltar a ficar
submerso,
flutuar e
emergir,
não é de
estranhar que
eu deteste
apenas terra
firme

é preciso ingerir
o líquido salgado
para distingui-lo do
normal
afogar-se em
meio a
correntezas
da areia, eles
apenas enxergam:
“Praia perigosa”

sem ousar ou
pôr tudo a perder
a vida fica
gasosa

Teu nome me
persegue até nas
fichas da academia

sábado, 18 de julho de 2015

Tudo passa ligeiro

O cinto está preso
imóvel
Desde o dia do
inevitável fim

Se for pego
em uma blitz
a ocorrência se
dará por sua
ausência

Há ocasiões
por certo
em que alguém luta
e o prende com força
por breves corridas

Só viagens curtas
Nada de trajetos
Demasiadamente longos
e enfadonhos

Tudo, afinal, é
passageiro
Tudo passa
ligeiro

domingo, 28 de junho de 2015

Vai sobrar alguém?

A caminhonete branca repousa sobre a zebra pintada no asfalto. Não poderia estar ali, penso. Especialmente quando o semáforo está vermelho, concluo. Ronca baixinho para depois fazer crescer o ruído próprio dos elegantes. Todos os vidros escuros estão fechados. É noite.

Um homem tenta atravessar a faixa pela frente da lata imóvel. A Amarok acelera alguns passos. O pedestre fixa os olhos no motorista e dá meia volta. Está zangado. Abre o sinal, segue o jogo.

A branquinha engole as próprias passadas na avenida. Corre como quem sofre de diarreia súbita. O semáforo insiste no vermelho. Acelera mais um pouquinho, vai dar. Passa incólume.


Atrás, em letras garrafais, anuncia: “Fora CorruPTos”. 

Então, nesses casos, pergunto: vai sobrar alguém?

segunda-feira, 22 de junho de 2015

qualificado

O menino
pegava nas vitrines
apenas sonhos

domingo, 14 de junho de 2015

Haicai

Diz sim e sorri
Com a cabeça
Sobre meu peito

terça-feira, 9 de junho de 2015

Esses

Sei sobre seu singelo sorriso
Será saudade, será solidão?
Suponho ser são