domingo, 1 de maio de 2016

ciências humanas

quero me perder
na floresta temperada
dos teus cachos

sábado, 30 de abril de 2016

português descomplexo

Minha oração coordenada
aditiva leva meu olho
ao teu 

sexta-feira, 1 de abril de 2016

matemática revolucionária

explorar mais e
dividir jamais
o multiplicar fugaz:
subtrair a paz

na periferia

"Extratificação social"
Tem cor
Vermelha

domingo, 27 de março de 2016

a calçada

fico só vendo
teus pés
zigue zagueando
perto da canela
da cadeira

eles ficam ali
direita-esquerda
esquerda-direita
hipnotizadores
enfim

e os chinelos
(perdidos)
já não sabem mais
que calçam
dois

e a vida própria
deles acaba
quando se enfiam
e se enrolam
suavemente

sábado, 20 de fevereiro de 2016

Ó lá o Olaf

Luiz veste uma camisa verde longa. Ela vai até os pulsos; ela é daquela para proteger do sol. Está mascarado do branco do protetor solar, embora o carnaval tenha passado. Vai até o vidro da porta e repete ho, ho, ho, prentendendo ser o papai Noel mais jovem de que se tem conhecimento. As orelhas grandes prendem melhor o mundinho de palavras que a gente libera.

Na água, aprendeu a se equilibrar no balançar das boias. Tem dois anos e, com seus braços, espanta os dos outros de perto. Dispensa a piscina para correr atrás da bola. Há uma imagem do Olaf, aquele bonequinho de gelo do filme Frozen, nela. É dividida pelo calor e gelo.

Da piscina, rebato seus arremessos de fora dela. Cabeceio para longe e digo Ó la o Olaf até que se localize e persiga a bolinha uma vez mais, tropeçando mais que correndo. Finjo que estou ratando a bola; Luiz gargalha, Clarinha o segue. As crianças podem ver a felicidade em tudo. Ele pede para repetir, ri e embola. E ri, ri, ri...

sonora


A palavra silêncio emite muitos sons

O circunflexo dá a força, dita o ritmo

Reforma ortográfica nenhuma pode mudá-la

Isso está certo

Mas...

Falando em silêncio, meu bem

Qual seria a graça de um

Que não fizesse barulho

Que não tivesse olhos

Que não se apagasse perturbador

Como o seu