sexta-feira, 30 de março de 2012

Lourival, qual é o teu mal?

Há quem seja adepto, no mundo do futebol, da seguinte frase: “Jogadores ganham partidas, técnicos ganham campeonatos”. No CSA da “Era Lourival”, deve-se destacar as três vitórias nas três partidas disputadas, ou seja, os 100% de aproveitamento - mesmo que a equipe já estivesse numa crescente visível. Por outro lado, podem-se questionar as improvisações fora de hora e que não surtiram efeito até agora.

É zagueiro de lateral, zagueiro de volante, meia de atacante. Caso fosse falta de opção, haveria ao menos uma justificativa, mas esse não é o problema: jogador há aos montes. 

Com dois laterais esquerdos no elenco, por que deslocar um zagueiro canhoto para a lateral, Lourival? O melhor dos zagueiros, por sinal.

Por que improvisar um zagueiro como 1º volante quando se tem um jogador da posição que vinha atuando bem até ser sacado da equipe titular?

Como se explica um meia na função de atacante com as boas opções de ataque que o time dispõe?

Afinal, Lourival, qual é o teu mal? Quer brincar de professor Pardal? O último Manager Gardenal que passou por aqui levou um ponto final!

Assim, rodada a rodada, enquanto os jogadores seguem ganhando, o torcedor só tem uma certeza: faz o simples que tu leva o campeonato!

sábado, 28 de janeiro de 2012

Djokovic por ele mesmo

     

        Finalzinho da partida de uma decisão de campeonato; o jovem atacante vira o jogo com dificuldade para o lateral direito e corre em direção à área. Posiciona-se atrás do zagueiro rival dorminhoco, esperando apenas a bola chegar. No meio do caminho, o zagueirão resvala a bola e só resta ao jovem atacante, que não fazia uma boa partida, tentar um carrinho. Executa. A gorduchinha, então, bate na sua coxa direita e vai, lentamente, entrando no fundo do gol adversário. A torcida grita "Golll!" nas bancadas.

         Quando Novak Djokovic entrou em quadra para a semi-final do Australian Open 2012, eu, em minha casa, esperava mais uma exibição espetacular do sérvio, que há muito me encanta com seu tênis e carisma únicos. Queria rever aquele tenista que foi arrasador nos momentos decisivos de 2011; hoje, porém, em quadra, um súbito apagão. Vi um Djokovic fisicamente impecável, mas tecnicamente sofrível.

     Que teve rapidamente o serviço quebrado; que errava bolas na direita; que resmungava com as marcações da arbitragem e dos fiscais; que errava bolas na esquerda; que xingava a si mesmo em diferentes línguas. Que levantava bravamente as duas mãos para cima, como quem procura alguma explicação. Aí, no ponto seguinte, errava um voleio; e olhava fixamente para seu staff, incluindo a sua noiva, com olhos furiosos, incrédulo com a partida que fazia. Um Novak que, a cada ponto, perdia a confiança nos próprios golpes.
     
        No meu sofá, eu não acreditava naquilo que estava assistindo. Com absoluta certeza, essa foi a primeira vez que senti o sérvio tão abatido tecnicamente. Mas, ainda no confortável assento, vi um tenista brigando como sempre, o bom e velho guerreiro dentro da quadra.
   
     Um Djoko extremamente forte psicologicamente e fisicamente que, apesar dos próprios erros não forçados, corria lado a lado da quadra, jogada a jogada; até mesmo se aproximamdo e distanciando da rede rapidamente.
     
        E então, com uns lapsos do excelente Djokovic de outrora, aliava seu físico à técnica para ganhar o ponto. E vibrava; e sacudia seu staff; e bola aqui, e bola ali; e ponto; e match-point. E DJOKOVIC!
       
         Quanto ao desabamento em quadra após a vitória, os amantes do tênis podem ter certeza de que esse é o Nole que nós conhecemos:
       
         Tenista incomum que nunca deixará de ser o número um, mesmo que o dia não esteja nada favorável, como o daquele jovem atacante.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Por amor, um herói pode virar vilão




A sirene do guarda que circula pela rua todas as noites toca pela terceira vez seguida e já está na hora de abrir os olhos. É desta forma que o pedreiro alagoano fica sabendo que o ponteiro já marca 5 horas da manhã – ou da madrugada. Levanta-se, dirige-se ao banheiro e, por fim, vai à cozinha para fazer a primeira refeição do dia, o cafezinho da noite passada requentado e um farto prato de inhame com ovo, às vezes troca-se o inhame pelo cuscuz. Enquanto isso ele ouve uma sirene diferente, era a sirene da polícia que estava no bairro para capturar um traficante que não pagara a propina corretamente.

O operário mudou-se para a capital com a família porque já não conseguia sustenta-la como trabalhador na usina. Há poucos dias na capital, vira um letreiro numa grande obra que oferecia vaga para pedreiros. De imediato, aceitou. Sua rotina profissional, desde então, passou a ser ma ocupada com a construção do empreendimento, mas, em contrapartida, a familiar ainda causava dores de cabeça. A mulher e o filho de 5 anos passavam o dia todo em casa; a primeira cuidando do lar e quando sobrava tempo, dedicava-o à costura; o segundo acordava cedo para acompanhar os desenhos matinais – e é justamente aí que estava o problema.

O moleque, desde o primeiro dia de mudança, vem pedindo fervorosamente ao pai o conjunto de brinquedos do herói que vê nos comerciais da tevê; quando o pedido é negado sob o pretexto da falta de recursos, começa o chororô incontrolável que só termina depois de um ou dois gritos. O pedreiro decide, então, que vai arranjar uma forma de presentear o garoto no Natal que se avizinha, mas logo toma nota que não recebera ainda o primeiro salário. Naquele dia claro e cheio de sirenes, a reviravolta em sua vida começaria.

Com a dispensa da hora final de trabalho concedida pelo o mestre da obra, encaminhou-se ao portão principal, lugar que dava para ver perfeitamente as vitrines das lojas nessa área nobre da cidade. Confuso, com medo e preocupado, dirigiu-se à loja de brinquedos infantis. Parou por um instante, olhou para o relógio, sacou uma foto do filho no bolso e ganhou forças para aquilo que iria fazer. Entrou na loja como quem nada quer, perguntou a atendente onde estava o conjuntinho do herói e deixou à mostra no balcão a faca que trouxera. Assustados, os clientes correram e os empregados viram-se sozinhos com o bandido. Para o azar deste, um carro da polícia trafegava pela rua no exato momento – sim, a polícia está nas ruas em áreas nobres - e os policiais prenderam o pobre rapaz.

Na delegacia, não deu outra: levou socos e pontapés dos policiais sob as ordens de um delegado narigudo. Na cadeia, foi submetido a uma cela repleta de estupradores, pedófilos e homens acusados de homicídios duplamente qualificados. Agora, seu mundo estava diferente, aquele convívio brutal poderia influenciar o futuro do rapaz da história.

Mas, com a ajuda de um amigo que fizera na hora do almoço, endereçou uma carta para sua mulher e seu filho, nela havia trechos de livros famosos. A certa altura, a carta dizia mais ou menos assim:

“Querida mulé, perdoa tudo que eu fis não sei aonde estava com a cabessa mas saiba que fis tudo iso por nós.

Filho, pesso que fiqe calmo e cuide da sua mãe emquanto estou aqi.

Por você faria iso mil veses.

Fis o que pude.

Te amo”

E, assim, provou que heróis em carne viva tornam-se vilões numa fração de anos.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Final de ano é tempo de algo novo


O último mês da faculdade, a viagem para a casa de praia da família, a nova coleção de roupas que está chegando, inúmeras festas nos lugares mais freqüentados da cidade: tudo isso faz parte do mês de dezembro, o último do ano. Além disso, existe ainda a comemoração tradicional do natal, nascimento de Jesus, que reúne as famílias para um farto jantar.

É, ainda, o mês do carnaval fora de época em algumas cidades, a oportunidade que o cinéfilo tem degustar os novos filmes em cartaz, o tempo ideal para perder uns quilinhos e, assim, estar preparado para o verão.

Para mim, foi o momento exato de checar os pneus do carro - ainda que o possante estivesse clamando por isso há um bom tempo – já que, naquele dia, a aula acabara mais cedo. Tomada a decisão, me dirigi à oficina recomendada por meu pai.

Fui atendido por um rapaz, de certa forma, jovial, moreno, com um avolumado bigode preto, camiseta pólo, bermuda jeans e uma pochete pendurada na lateral do corpo, mais parecendo outra coisa que um porta-objeto ou até mesmo dinheiro. Ao ouvir as queixas de um leigo no assunto carro, pediu-me para aguardar um instante e foi lá dentro providenciar tudo aquilo que precisaria para resolver o meu provável problema.

Retirou o pneu, lavou, verificou e nada constatou.

Aí, chegou um homem, de certa forma, velho que, por sua vez, checou o outro pneu, deu umas batidinhas para desamassar a parte de ferro que o protege e parecia chefiar o jovem bigodudo - que agora se encontrava lá atrás, ouvindo atenciosamente tudo aquilo que o mais experiente falava.

Quando já estava colocando o primeiro pneu em seu devido lugar, soltou uma frase que cravou em minha memória e que dizia mais ou menos assim:

- Tá precisando mesmo é de pneu novo. Todo mundo quer coisa nova no fim de ano, ne? Aí o bichinho quer vestir coisa nova também – disse o velho homem, com um sorrisinho amarelo de orelha a orelha.

Minha reação foi unicamente retrucar o sorriso para aquele homem com uma bermuda de cor que não sei definir com exatidão se era branca ou bege, mas que estava marcada por toda aquela “tinta” preta que é jorrada dos pneus – e que vestia também uma camiseta cinza claro, recheada, também, daquele líquido preto viscoso.

Por fim, cobrou 3 reais pela checagem dos pneus, pelo bom sorriso que proporcionou e pelo ensinamento que o novo não está resumido ao material.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Questão de safadeza



Um grupo em quantidade razoável, mais ou menos cinco pessoas, encontrava-se próximo à entrada da academia. Um médico - que provavelmente carrega meio século de vida nas costas-, dois personal trainers – um deles acompanhava o doutor nos exercícios – e mais dois alunos jogavam conversa fora sobre vários assuntos. Até que lá estava eu, nos meus trinta segundos de pausa entre um exercício e outro, me dirigindo ao bom copo com água, quando me dei conta que o assunto da vez era algo relacionado à educação. Pela curta distância que me encontrava, era certo que eu seria o sexto integrante daquela conversa.

Pouco tempo depois, tentei fingir que não escutara as seguintes palavras ditas pelo médico:

- Analfabetismo é questão de safadeza mesmo! – referia-se aos pobres, não ao governo.

Foi algo realmente inacreditável; o tom grave na voz do doutor, característica que lhe confere a capacidade de ser escutado por alguém lá na portaria, aliado a um desabafo surreal é capaz de conquistar adeptos pelo tom de firmeza que parece demonstrar. Após alguns minutos, disse algo mais ou menos assim:

- Jogando lixo na praia, tem jeito não, é sem educação mesmo.

No momento, retruquei com alguns argumentos que fizeram o doutor voltar imediatamente ao exercício, como se estivesse arrependido por não ter aquela opinião compartilhada; agora, penso em outros.

Safadeza, no meu conceito, é ficar sentado num sofá confortável com um uísque doze anos e fazer vista grossa a todos os meninos de rua, à favela que não é integrada ao mercado ou até mesmo ao sistema educacional público.

Safadeza é o que esses filhos de autoridades, leiam-se altos cargos do judiciário e da política, fazem pelas boates e pelas ruas de nossa cidade, tratando aqueles que pouco têm como indigentes.

Safadeza talvez seja o filho que tem oportunidade de estudar, mesmo que numa faculdade particular, sair no meio da aula, no meio da semana, pra fazer qualquer atividade que não seja estudar, leia-se tomar cachaça no bar da esquina.

Aí eu pergunto: cadê a educação? O que pode ser entendido como educação?

Nada mais me surpreende. Afinal, é mais fácil culpar os pobres que exigir algo dos governantes. Isso é questão de safadeza.

Mas sinto que será sempre assim...

domingo, 27 de novembro de 2011

Quando chega a sua vez...


Nem vem com essa história que ficar sozinha é bom, garota, com esse papo que não faz questão de ter uma companhia; não da a mínima de receber mensagens que desejam um “boa noite”, de receber ligações inesperadas quando você já está de camisola, pronta para dormir agarrada em seu travesseiro; que não fica apreensiva e, como conseqüência, sente um friozinho na barriga quando está no mesmo lugar que “aquele garoto”.

Nem vem com essa conversa que a noite na boate foi ótima porque você dançou a noite toda, porque você parece querer esquecer que estava sozinha, enquanto sua amiga, exatamente aquela que prega o desapego, dançava colada ao rapaz cuja conversinha nas redes sociais rendia bastante. Moça, não tente enganar os outros ao dizer que um menino tentou “ficar com você” por lá, porque esse tipo de investimento, quando não há relação de certo tempo, se mostra tão vazio. E todos sabem disso.

Nem vem com essas mesmas desculpas que julgam os relacionamentos como uma dor de cabeça; que não teria paciência pra um cinema particular com um garoto, regado a comédia besteirol romântica e muita comida calórica; que não vê graça em acompanhar um show com o paquera; que não vê tempo para um passeio de mãos dadas pela praia da cidade; que não há como dividir o tempo entre amigos e namorado. Sabe por quê? Porque isso é o que todos os solteiros (as) colocam na tua cabeça pra fazer com que você não abandone o clube daqueles que amam viver a solidão, perdão, solteirice. Nem vem com essa de falta de tempo para amar.

Nem vem com essa coisa de ser fria, que a última experiência que teve a esgotou e que, por isso, não teria mais condições de se entregar a um novo rapaz; que esse coração de ferro não tem como ser tocado ou mudado, quando, na verdade, se encontra simplesmente num estado de espera, e lembre-se disso: espera demanda tempo.

Mas, quando esse tempo chegar, não vá com um julgamento precipitado da situação, porque cada momento tem a sua hora certa, cada frase tem sua palavra-chave e, além disso, há o nervosismo em cada palavra dita, calculando-se milimetricamente cada letra. Quando a sua vez chegar, garota, não vá com desculpas, não coloque dificuldades para se entregar.

Sabe por quê? Porque é aí que chegou a hora do silêncio das bocas, das vozes dos abraços apertados e das súplicas dos olhos quando se vêem. E aí, garota, o resto da história eu deixo para você contar.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Romário deputado é um poeta!



“ Vocês nunca irão me ver envolvido em falcatrua, em corrupção. Nunca.”, revelou Romário em entrevista concedida a edição de outubro da revista ESPN.

Agora, longe dos gramados, o baixinho é a bola branca da sinuca brasileira enquanto Ricardo Teixeira, presidente da CBF há mais de 20 anos, é a preta.

A atuação do baixinho na política tem merecido destaque; sua luta por uma melhora na educação, pelos programas assistenciais aos portadores de deficiência física e também no esporte - área na qual o ídolo brasileiro mostra toda sua intimidade quando discursa sobre a Copa de 2014.

O atacante dos mil gols foi eleito deputado federal pelo PSB-RJ com aproximadamente 150 mil votos e esse número só aumenta graças a sua atuação na câmara. Polêmico como sempre, não poupa criticas ao dono do futebol brasileiro, Mr.Ricardo Teixeira, tampouco ao secretário-geral da FIFA Jerómê Valcke - a quem, durante uma sessão, chamou de chantagista.

Aliás, polêmica sempre foi o seu forte; o baixinho abusado chegou uma vez a declarar: “O Pelé calado é um poeta!”. Em declaração mais recente, para a revista ESPN, revelou que Ricardo está em dívida com o povo. Foi além, disse ser a favor do voto aberto, que votou a favor da cassação da deputada Jaqueline Roriz e que acha que o voto não devia ser obrigatório para os eleitores. Bola na caçapa.

Há pouco tempo, no plenário, o deputado discursou sobre a sua preocupação quanto às famílias que moram nas proximidades dos estádios que estão sendo construídos Brasil afora – sim, em várias cidades, há uma pressão para tirá-las, juntamente com as suas histórias e identidades, do local em que vivem simplesmente para a valorização beneficiar alguém, que não é o povo. Bola na caçapa para o baixinho.

Mas o fato que mais chamou atenção até agora, sem dúvida alguma, foi quando Romário encurralou Teixeira e Valcke durante audiência na comissão que discute a “Lei Geral da Copa”. Fez questionamentos pertinentes que não foram respondidos de maneira esclarecedora.

O baixinho, que promete ir pessoalmente à Suiça para obter informações que incriminam Teixeira, demonstra honrar os votos que recebeu. Faz aquilo que realmente se espera de um político: representar o povo.

Mas a sinuca tradicional é diferente da sinuca eleitoral. Enquanto na primeira perde-se ponto quando a bola branca coloca a bola preta na caçapa, na segunda o esporte mostra-se mais justo: Romário ganhará pontos com os brasileiros quando abater Teixeira.